Sábado, 11 de Abril de 2009

 

  
Sim, deves perdoar! Perdoar e esquecer a ofensa que te colheu de surpresa, dilacerando a tua paz. Afinal, o teu opositor não desejou ferir-te realmente e, se o fez com essa intenção, perdoa ainda, perdoa-o com maior dose de compreensão e amor. Ele deve estar enfermo, credor, portanto, da misericórdia do teu perdão.
 
Ante a tua aflição, talvez ele sorria. A doença apresenta-se com múltiplas faces e uma delas, é a impiedade, outra o sarcasmo, que pode revestir-se de aspectos muito diversos.
 
Se ele agiu movido pela ira, utilizando as armas da calúnia e da agressão, caiu numa infeliz cilada da qual poderá sair emocionalmente perturbado e fisicamente comprometido. É provável, no entanto, que de tal não se aperceba senão muito mais tarde.
 
Quando te ofendeu deliberadamente, desacreditando o teu nome e o teu carácter, na verdade foi a ele próprio que colocou em dúvida. Continuas a ser a mesma pessoa e não o que ele disse a teu respeito. Apesar de justificar a animosidade contra ti e de evitar a reaproximação, essa atitude alimenta sentimentos negativos que lhe fazem mal e o conduzem a um estado de alienação, traduzido, muitas vezes, pela presunção.
 
Perdoa, portanto, seja o que for e a quem for. O perdão beneficia aquele que perdoa, concedendo-lhe paz espiritual, equilíbrio emocional e lucidez mental.
 
Felizes são os que possuem a fortuna do perdão e a espalham largamente, sem parcimónia. O perdoado é alguém em débito; o que perdoou é um espírito credor.
 
Se revidas o mal, és igual ao ofensor; se perdoas, ficas em melhor posição. Mas, se perdoas e amas aquele que te maltratou, avanças em marcha invejável pela rota do Bem.
 
Todo o agressor transmite a sua própria dor. É um espírito envenenado, espalhando à sua volta o tóxico que o vitima. Aproxima-te dele apenas para o ajudar a limpar o coração do veneno corrosivo que o domina.
 
Há tanto tempo que não te consumias de dor e aflição, que não enfrentavas problemas – graças à fé clara e nobre que floresce na tua alma – que te desacostumaste do aguilhão do sofrimento. Por isso, dás demasiada importância ao petardo com que te atingiram e valorizas a ferida que, no entanto, podes cicatrizar de imediato.
 
Medita no que sentes e compreenderás o que se passa na alma do teu ofensor. O que é estranho para ti, para ele é habitual: a desarmonia, a ira, o ressentimento. Assim, se não permitires que a ira e a rebeldia se apossem dos teus sentimentos, saberás perdoar.
 
A mão que, afagando a tua, crava nela espinhos, ferir-se-á em simultâneo. Não retribuas essa atitude, revidando com estiletes de violência, para não aprofundares as lacerações.
 
O regato mais tranquilo, quando encontra calhaus no seu percurso, que o impedem de prosseguir a sua marcha, contorna-os ou pára, aguardando que o seu caudal cresça e assim os possa ultrapassar e seguir adiante. A natureza violentada pela tormenta responde ao ataque da intempérie, reverdecendo e multiplicando-se em flores e novas sementes. Até o pântano infeliz, na sua desolação, quando se adorna de luar, parece receber o perdão da Mãe Terra, transformando-se numa bela paisagem que transmite a esperança na oportunidade de ser drenado muito em breve e, logo, florescer como um belo jardim.
 
Deves tu também acalmar o pulsar desarmonioso do teu coração perante a ofensa e escutar a voz suave e persistente do teu Eu Superior. Voz tranquila que consola e esclarece, que invade o teu íntimo com a música da misericórdia e do amor, que segreda ao teu ouvido o mistério do perdão divino para os teus próprios erros.
 
Perdoa, sim, e intercede junto do Deus do teu coração por aquele que te ofende, olvidando todo o mal que possa ter-te feito e, mais ainda, ama-o assim mesmo como ele é. Viverás em paz e harmonia todos os dias da tua vida.


publicado por Nhunguè às 01:53 | link do post | comentar | favorito


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