Sexta-feira, 16.01.09

 

“No princípio, criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre o abismo; e o Espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas. E disse Deus: Haja luz! E houve luz.”
Génesis Capítulo 1; versículos 1, 2 e 3
 
 
 
 
I
O QUE É A LUZ?
 
 
A LUZ significa VIDA. Porque dá calor e claridade. O coração da Terra arde em convulsões de magma porque é um planeta jovem, com a vida palpitando desde o seu interior às mais altas montanhas. O Sol aquece e ilumina a sua superfície, interagindo com as águas dos oceanos e dos rios, com os minerais, as plantas e os animais.
 
O próprio homem depende do sol para sobreviver. E foi o Sol, numa das suas tempestades ígneas, que provocou aquela tempestade assustadora, aterrorizando-o quando um raio incendiou a árvore onde caiu.
 
E o homem descobriu que o fogo, além de dar luz, também dava calor, como o sol. E as noites sem lua deixaram de ser negras. E os animais deixaram de caçar o homem nas horas tardias do descanso. E os alimentos cozinhados eram saborosos e nutritivos.
 
Aquele pedaço de sol aprisionado pelo homem transformou a sua vida e deu um extraordinário impulso à sua caminhada para a luz do conhecimento. Assim como adorava o sol, braseiro do firmamento, também temia e adorava o fogo, o representante de deus na terra.
 
Hoje sabemos muito sobre a pequena estrela chamada SOL e sabemos que não poderia haver vida sem ela. Conseguimos transportar o sol para as nossas casas e empregos através de uma tecnologia complicada chamada electricidade e outra ainda mais complicada que capta vibrações específicas no ar, dando-nos os telefones sem fios, os computadores, a velha televisão e o velhíssimo rádio, e a maravilha da última década, chamada Internet.
 
Hoje há quem confunda essas maravilhas materiais, que nos dão conforto e segurança, com o deus sol.
 
Mas quando o homem primitivo contemplava o fogo nas noites frias, interrogava-se sobre essa riqueza e todas as outras que o rodeavam: a água dos rios e mares, a chuva, as plantas, os animais voadores, os terrestres e os marinhos.E continua a interrogar-se!
 
E, pelo menos desde há dez mil anos, a luz passou a significar também conhecimento e sabedoria. Conhecimento, sabedoria e sempre DEUS. Filósofos e percursores de todas as religiões, mitos e lendas apontam para a LUZ como sendo a qualidade última e primeira de Deus, porque nos trouxe a VIDA e o AMOR.
 
Os cristãos afirmam que somos salvos na LUZ, que é Jesus, o Cristo. E, realmente, tanto o Velho como o Novo Testamento da Bíblia contêm uma sequência de referências à LUZ que nos vão aproximando cada vez mais da espiritualidade, num sentido lato e interiorizado, tal como a atmosfera se vai rarefazendo à medida que penetra o espaço mais além, longe da gravidade terrestre.
 
“E disse Deus: Haja Luz!” Génesis 1:3
 
Mas o que é a LUZ?
 
“Então disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão para o céu, e virão trevas sobre a terra do Egipto, trevas que se apalpem. E Moisés estendeu a sua mão para o céu, e houve trevas espessas, em toda a terra do Egipto, por três dias. Não se viam uns aos outros e ninguém se levantou do seu lugar, durante três dias; mas todos os filhos de Israel tinham luz nas suas habitações.”   Êxodo 10:21-23
 
“Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: Haverá um justo que domine sobre os homens, que domine no temor de Deus. E será como a luz da manhã, quando sai o sol, da manhã sem nuvens, quando pelo seu resplendor e pela chuva, a erva brota da terra. Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus, contudo, estabeleceu comigo um concerto eterno, que em tudo será bem ordenado e guardado, pois toda a minha salvação e todo o meu prazer está nele, apesar de que ainda não o faz brotar.” II Samuel 23: 3-5
 
 
Esta luz que permeia toda a Bíblia está relacionada, concerteza, ao resplendor interior que nos fará brilhar como o sol do meio-dia, o concerto eterno entre Deus e o homem.
 
Continuando a leitura do capítulo 23 do segundo livro de Samuel, vemos o pecado comparado à escuridão. Os que se comprazem com o mal nos seus corações, andam de noite para que os não vejam, isto é, mentem e enganam para esconder a sua maldade.
 
O livro de Jó, profundo e hermético, apresenta uma análise detalhada sobre o caminho do homem até à libertação da alma, quando, enfim, encontra a realidade divina dentro de si, não nos bens terrenos ou nas ofertas sagradas a Deus, nem tão pouco nas boas acções e esmolas, mas, sim, na certeza da LUZ que brilha no seu coração.
 
“Então respondeu Jó ao Senhor e disse: Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido. Quem é aquele, dizes tu, que, sem conhecimento, encobre o conselho? Por isso falei do que não entendia: coisas que para mim eram maravilhosíssimas e que eu não compreendia. Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei e tu ensina-me. Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.
....
E o Senhor virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o Senhor acrescentou a Jó outro tanto, em dobro, a tudo quanto dantes possuía.”    Jó 42:1-6 e 10
 
Jó perseverou na confiança e fé em Deus até compreender a Sua mensagem de Luz, Vida e Amor, recebendo aqui mesmo os frutos da perseverança, malgrado todas as tempestades e catástrofes que desabaram sobre ele.
 
A mensagem divina é bem clara: Está sempre presente em nós, sobretudo nas aflições. Para nos apercebermos da sua constante presença, devemos ter fé, ser perseverantes e orarmos continuamente.
 
A confiança em Deus e a perseverança na oração, despertam o coração do homem para o amor. Não o amor físico, materializado, do homem terreno, mas o Ágape, o Amor Divino, espiritual, que emana de toda a Creação.
 
“Levanta-te, resplandece, porque já vem a tua Luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti”    Isaías 60:1
 
Sim, as três acções anteriores, a fé, a persistência e a oração, que encerram o Amor – a acção sublimada no poder divino, conduzem à LUZ interior, que resplandece em nós como a glória de Deus.
 
No capítulo 9 do Evangelho segundo S. João, o evangelista narra a história de um cego de nascença a quem Jesus, o Cristo, curou, maravilhando-se este ao ver o mundo desconhecido de mil cores que o rodeava. Este milagre causou distúrbios e grande perturbação entre os sacerdotes e o povo, pois não compreendiam nem aceitavam as obras de Jesus.
 
João diz, também, que o homem que via o mundo pela primeira vez, ganhou um bem ainda mais precioso pois encontrou a luz dentro de si e correu pelos caminhos anunciando a sua cura e falando da mensagem de amor e paz que Cristo transmitia por toda a Judeia, uma mensagem de “luz para as nossas almas”.
 
 
 
 

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publicado por Nhunguè às 23:57 | link do post | comentar | favorito


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